Dois monges, Tanzan e Ekido de seus nomes próprios, viajavam juntos, a caminho do Templo. Chovera durante todo o dia, enlameando as estradas e dificultando a caminhada. Quando chegaram a uma curva, encontraram uma bela rapariga que chorava, incapaz de atravessar a estrada, alagada pela água da chuva que caíra das terras próximas.
"Venha, menina" disse Tanzan de imediato. Erguendo-a nos braços, o monge carregou-a, atravessando o lamaçal até ao outro lado da estrada.
A rapariga agradeceu, despediu-se dos monges e todos seguiram caminho, a rapariga para casa e os monges para o Templo.
Durante o resto da viagem, Tanzan e Ekido nada comentaram sobre o ocorrido. Mas, à noite, já no Templo, antes de se recolherem aos respectivos quartos, Ekido, sem se conter, disse para Tanzan:
"Nós, monges, não nos aproximamos de mulheres, especialmente as jovens e belas. Isto é perigoso. Por que fez aquilo, carregando a moça nos braços?"
"Eu carreguei a moça nos braços mas deixei-a lá, na estrada" disse Tanzan. "Mas você, apesar de nem sequer lhe ter tocado, ainda a está carregando."
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